domingo, 17 de julho de 2011

Obrigado, mil.

ao sitio, aos amigos, aos companheiros, a quem coordena e ordena, a quem toma posições e a quem ainda assim, deixa andar, a quem quer, e quer, e quer, a quem subiu vezes sem conta aquele terrivel caminho. O trabalho é feito de esforços, e a conquista só é ganha se querida. E assim foi. Obrigados? Mil.

O recanto de oficina

Mundos novos

Páginas viradas

de acordo com o programa da licenciatura, são-nos pedidas criticas a alguns trabalhos na mais bela arte: a dança. (...) Um bocadinho do meu trabalho, do nosso trabalho, do prazer de ver, e poder analisar o bom e o menos bom de algo:



 - Referente ao espectaculo de Olga Roriz, Noite de Ronda -


MIL E UMA NOITES.
O imaginável de mil noites concretiza-se em “Noite de Ronda” pela mão, e coração, de Olga Roriz. Com a acentuada diferença entre influências techno e clássicas, o movimento apresenta contrariedades saudáveis.
Bailando, os vestidos compridos e evidenciados, coordenam-se disfarçadamente entre os homens, que de fraque se fazem notar. Há um querer e não querer, uma atracção e uma repulsa, entre mudanças musicais, como que se de desorientações sexuais se tratasse. O baile representando a heterossexualidade, o enamoramento, a conquista, a reacção o desapego, os colos; por outro lado nasce o techno que transporta os espectadores para o mundo da bissexualidade e homossexualidade, das claras provocações e chamares à atenção. Recorrendo a uma constante troca de pares, O.R. realça na sua obra, a pouca complexidade existente no mundo da conquista, exagerando apresentações e exibições marcadas pelo carácter sexual, num querer rápido da noite. Os corpos hirtos marcam uma presença exacerbada entre entradas e saídas de palco. A cortesia de olhares, imediatamente encontrados, nunca se perdem entre os pares, tanto de noite, como de madrugada.  Há beijos estonteantes ocupando um cenário dançante. Os movimentos, esses, são suaves entre os vestidos e desvairados entre os corpos masculinos desnudados. As sombras num acinzentado de palco notam os contornos de silhuetas perfeitas. A perfeição de um corpo sem estrutura óssea – ou que isso aparenta – desenha curvas e contracurvas brutalmente bem conseguidas, tanto quanto o clássico mostrado de seguida, marcado pelo quaternário típico de música de discoteca. Os duetos masculinos, pela dotada força a eles pertencente, exibem-se em múltiplos malabarismos corporais, com uma utilização espacial incrível mas, contudo, numa utilização temporal intensa e demorada, tornando-se cansativa. Realçam-se corpos nus, ou partes deles, nunca com uma intenção sexual. Elas usam-se dos seus longos cabelos, e segregam toda a atenção para eles. Eles, por sua vez, num tom irónico, recorrem ao estigma dos locais poucas vezes privados, casas de banho. A confiança é retratada ao longo do tempo em pequenos momentos até que se torna necessário a representação clara do egocentrismo feminino, vão caindo e gritando pelos bailarinos como se de servos se tratassem. Todo o espectáculo reporta para a necessidade do outro, para a obrigação social da presença de um elemento na vida quotidiana das pessoas. O cenário conta com a prontidão de um serviço simples. Acinzentados transparentes deixam adivinhar quem entra em palco, prateados envolvem iluminação, e andaimes preenchem o imaginário da noite no avançar das horas, tudo planeado, sem nada deixar ao acaso, mesmo que não o pareça. “Noite de Ronda” acaba assim com uma das suas inspirações musicais, não apresentando um verdadeiro clímax, acabando sempre por ser disfarçado pela musica techno, que pode, de facto, vir a ser confundida como um ponto alto da obra.


Três estrelas


Ana Rita Crespo.
Introdução à critica da dança.
Noite de ronda.



FIM


É visto o fim, o trabalho foi distribuído e foi conseguido fazer. A ideia a uns transpareceu, a outros não – desequilíbrios – e o que deles advém.
Desequilíbrios vários:
Entre céu, terra e mar; entre alturas;  entre o barulho ensurdecedor dos carros e a calmaria dos pássaros; das linhas; do tudo e do nada, num pequeno espaço.
Tudo circulou e rondou esse tema, entre palavras esgotantes em livros inacabáveis. As passagem, em meu entender, foi o menos bem conseguido… no entanto, cada “estação” tinha a sua magia e o seu encanto, construídas por pequenos grupos. A mim, pessoalmente, incumbiram-me de embelezar, juntamente com Ana Soares, a porta principal da capela, e também com Catarina Ribeiro a primeira estação, na primeira abordagem ao publico, o que de certo nos deixava nervosas. Num clima nostálgico, por ser o ultimo dos nossos trabalhos juntos, fomos conseguindo juntar cada peça, daquele puzzle descoberto pela Eva. Haveriam então oito pontos chave no trabalho. O que mais gostei de concretizar foram os pilares, pelo incerto que os caracterizava, e as namoradeiras – dos pontos que não os meus.  
A nostalgia instalou-se, assim como o frio, mas tudo correu de acordo com o normal, tirando algumas quedas, ou chamar-lhe-emos recaídas! As pessoas que nos viram, e que contemplaram o nosso trabalho variavam na opinião, uns percebiam pouco do que se passara, outros custavas-lhe relacionar. Mas havia um factor comum: a beleza do trabalho estava presente

Pensou-se: conseguimos!
E conseguimos de facto, com altos e baixos, com frio uns dias e um calor insuportável noutros, não fosse a vida, e o nosso trabalho, viver de desequilíbrios.

DESIQUILIBRIOS – o inicio de um projecto.


No todo de um conjunto de aulas com vista para o mar, os desentendimentos típicos de um terceiro ano aparecem, sempre ultrapassáveis, com vista a um final de trabalho. Todos os esforços tinham o mesmo objectivo e apesar das variadas faltas que se foram notando, tudo foi decidido a tempo certo.

PRAIA

O mar embeleza a paisagem e o risco que se corre prende os movimentos, até a liberdade do momento tomar conta de nós. Na praia, o momento mais marcante para mim foi a roda de movimentos, tão simples, silenciosa e quente. Foi talvez, dos melhores momentos em três anos de licenciatura, senti-me bem por uma nunca recriminação, senti-me livre pelo bem que poderia fazer misturar o corpo, com o sujo da areia, e com o azul do céu, dependendo das perspectivas todos ganhámos formas nunca vistas, nunca sentidas, porque éramos um todo. Todo de nós, e do eu. As construções fizeram lembrar-me a utilização da areia enquanto menina pequena, e penso que a liberdade que ela nos lembra trouxe imaginação suficiente para a construção do novo.