sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

qual caixa?

Caixa, descaixa, encaixa, acaixa.
a tua, a minha, a dele, a nossa.
o teu, o meu, o dele, o nosso - sentido.
desgosto, desapego, desloco.
atiro, envergonho, encaixo, fecho.
aqui, e aqui e aqui e ali...
.... e ali e ali e ali e aqui.
Caixa, descaixa, encaixa, acaixa.
contigo e "sentigo", e sem ti e "com ti".
bato ,embirro, desarrumo e descalço.
abro, desamarro, corto, colo.
Caixa, descaixa, encaixa, acaixa.

notas?

- Percebes?
- Sim, mexes-te a cabeça!
- NÃO, NÃO, NÃO.
- Foram as pernas 

O que mexo em mim que mexe contigo?
 - cada milimetro -
devagar, tão devagar que o movimento se torna invisivel, ou quase.
Quando noto já estás num outro lado do mundo, que em nada tem a ver com a minha última troca de olhares com o teu movimento.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Há momentos em que pensamos que é imprescidivel.
Outros que ela só nos atrapalha.
O facto é que uma sem a outra é quase inimaginável.

"Imitar é limitar"

E nos limites do outro eu sou, eu copio, eu crio, e recrio. Conexões existentes em pequenos gestos, eu sou tu, mas para me conheceres, tenho de ser eu. Eu troco de papel contigo, e tu não sabes - ou finges não saber (um dos últimos exemplos nossos). Ves-me ou finges que sou a tua sombra? Como uma consciencia materializada do "eu" que tu és, com tiques, com percepções, com falas, com acentuações. É desconfortante? Imagina para mim que tenho de ser quem nunca soube, nunca vi e nunca ouvi.
Não sei copiar, mas não me copiem também - nunca fui um exemplo a seguir.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Onde sou?

Difere sempre, por nós e por ele. Ele espaço que nunca se mantêm, que sempre se altera.
Mais e menos [ou menos e mais], forte, fraco, intenso, desatento. Agora sou assim - o fraco lado da existência -  mas se me mandarem escalar uma montanha tenho de no imaginário resgatar forças, que pensara não existirem até então, se tiver de ocupar menos espaço ocupá-lo-ei, mas aumentarei a intensidade do meu mexer. Se chafurdar na lama terei de ultrapassá-la porque nem tudo é desgosto. Eu sou, e sei ser. Onde? "Aqui, e ali, agora e no fim do mundo" porque cada lugar tem uma intenção, um querer. Quando temos as nossas "oportunidades" não importa olhares descontrolados e controladores, existe apenas a experiencia, o ensinamento, a aprendizagem, a atenção, o som, o silêncio e nós - o que deles (ou de nós) nasce é pura arte. Se a minha arte se prender à tua, não existirão duas, mas uma, mais forte - porque a união faz a força, sempre o fez.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Primeiro sentir.

Querer e não saber fazer, ou saber e não pensar.
Sigo, e sou seguida, desvendo ou engano os passos de outrem que me segue cada movimento, como se fosse o único certo e existente. Sei não ser, mas aquele tempo fez parecer, uma inimaginável coreografia, umas vezes com todos os tempos certos, outras vezes com um desfasamento temporal que tecnicamente chamaria cannon. Os descuidos e a improvisação tornam tudo impossível de antecipar.  Se adivinhar, ajo. E se for o acto errado, desconcerto todo o sentido da tarefa, ou da oportunidade – será melhor chamar àquele momento, isso. Porque o é.
Sentir-nos no outro, é tão importante quanto sentir-nos de nós mesmos, e nessa troca de almas, nasce o movimento - tão complexo e integrante como nós e o outro.

Nem sempre Sei

"Nem sempre sei de mim,
Nem sempre sei de ti.
Só sei
Que sem ti
Me perco
De mim!"

- Minha Dança -


[Nós de Amor, Helena Sacadura Cabral]